Vento
Escala de Beaufort
Descreve a intensidade do vento, da força 0 (calmaria) à força 12 (furacão). Cada força corresponde a uma faixa de velocidade média do vento, em nós, e ao aspeto do mar que esse vento levanta.
Mar
Escala de Douglas
Descreve o estado do mar, do grau 0 (sem ondas) ao grau 9 (phenomenal), a partir da altura das ondas formadas pelo vento no local. Tem uma escala à parte para a ondulação (swell), as ondas que chegam de longe.
Escala de Beaufort
O que é
É uma medida empírica: descreve a intensidade do vento a partir do que se observa, no mar o estado do mar. O Met Office, o serviço meteorológico britânico, usa-a nas suas previsões marítimas.
Origem
Foi concebida por Francis Beaufort, oficial da Marinha Real britânica, que registou uma escala de força do vento no seu diário de bordo em 1806. Na origem não descrevia a velocidade do vento, mas o efeito do vento nas velas de um navio de guerra. O Almirantado britânico adotou-a em dezembro de 1838 para todos os diários de bordo da Marinha Real. Só em 1926 foi aceite um conjunto uniforme de velocidades equivalentes, revisto ligeiramente em 1946.
O que mede
Hoje cada força corresponde a uma faixa de velocidade média do vento, em nós. As rajadas são picos curtos acima da média: no boletim têm a sua própria força, calculada com a mesma tabela.
| Força | Designação | Em português | Nós | m/s | Altura provável das ondas (m) | Estado do mar (Douglas) |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 0 | Calm | calmaria | menos de 1 | menos de 1 | – | 0 |
| 1 | Light air | aragem | 1 a 3 | 1 a 2 | 0,1 (máx. 0,1) | 1 |
| 2 | Light breeze | brisa leve | 4 a 6 | 2 a 3 | 0,2 (máx. 0,3) | 2 |
| 3 | Gentle breeze | brisa fraca | 7 a 10 | 4 a 5 | 0,6 (máx. 1,0) | 3 |
| 4 | Moderate breeze | brisa moderada | 11 a 16 | 6 a 8 | 1,0 (máx. 1,5) | 3 a 4 |
| 5 | Fresh breeze | brisa forte | 17 a 21 | 9 a 11 | 2,0 (máx. 2,5) | 4 |
| 6 | Strong breeze | vento fresco | 22 a 27 | 11 a 14 | 3,0 (máx. 4,0) | 5 |
| 7 | Near gale | vento forte | 28 a 33 | 14 a 17 | 4,0 (máx. 5,5) | 5 a 6 |
| 8 | Gale | ventania | 34 a 40 | 17 a 21 | 5,5 (máx. 7,5) | 6 a 7 |
| 9 | Strong gale * | ventania forte | 41 a 47 | 21 a 24 | 7,0 (máx. 10,0) | 7 |
| 10 | Storm | tempestade | 48 a 55 | 25 a 28 | 9,0 (máx. 12,5) | 8 |
| 11 | Violent storm | tempestade violenta | 56 a 63 | 29 a 32 | 11,5 (máx. 16,0) | 8 |
| 12 | Hurricane | furacão | 64 ou mais | 33 ou mais | 14 ou mais | 9 |
Valores do Met Office. As alturas das ondas referem-se a ondas de vento bem desenvolvidas em mar aberto, e é preciso ter em conta o desfasamento entre o vento que se levanta e o mar que cresce. Perto da costa ou numa baía, o mar pode por isso não corresponder ao da tabela. A coluna do estado do mar é o grau da escala de Douglas indicado pelo Met Office para cada força.
* O termo oficial é Strong gale, mas o Met Office usa a designação descritiva Severe gale. Os nomes em português variam consoante a fonte; as designações aqui usadas são as da Wikipédia em português. O que conta são a força e a velocidade em nós.
Para converter: 1 nó = 0,514 m/s. Um nó é uma milha náutica por hora, ou seja 1,852 km/h.
Escala de Douglas
O que é
Foi criada em 1921 pelo capitão H. P. Douglas, mais tarde vice-almirante Sir Percy Douglas, hidrógrafo da Marinha Real britânica. Serve para estimar a agitação do mar para a navegação e tem dois códigos: um para o estado do mar e outro para a ondulação.
O que mede
O grau do estado do mar, de 0 a 9, depende da altura das ondas de vento, isto é, das ondas que o vento local está a formar. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) adotou esta parte da escala no seu código de estado do mar (tabela 3700 do Manual de Códigos).
| Grau | Designação OMM (em inglês) | Altura das ondas (m) |
|---|---|---|
| 0 | Calm (glassy) | 0 (sem ondas) |
| 1 | Calm (rippled) | 0 a 0,1 |
| 2 | Smooth (wavelets) | 0,1 a 0,5 |
| 3 | Slight | 0,5 a 1,25 |
| 4 | Moderate | 1,25 a 2,5 |
| 5 | Rough | 2,5 a 4 |
| 6 | Very rough | 4 a 6 |
| 7 | High | 6 a 9 |
| 8 | Very high | 9 a 14 |
| 9 | Phenomenal | mais de 14 |
Regra da OMM: o valor exato de um limite pertence sempre à categoria inferior. Por exemplo, um mar de 4 m é classificado como agitado (grau 5). Os nomes são os da OMM, em inglês: não encontrei uma designação oficial em português nas fontes consultadas.
A ondulação (swell)
Ondulação é qualquer conjunto de ondas que já saiu da zona onde foi gerado. Vem de ventos distantes e não do vento local, e costuma ter comprimentos de onda grandes. É por isso que pode haver ondulação com pouco vento no local. A OMM recomenda descrevê-la pelo comprimento e pela altura:
| Comprimento da onda | Altura da ondulação |
|---|---|
| short: até 100 m | low: 0 a 2 m |
| average: 100 a 200 m | moderate: 2 a 4 m |
| long: mais de 200 m | heavy: mais de 4 m |
Os termos são os da OMM, em inglês. Também aqui o valor exato do limite pertence à categoria inferior. Quando o mar está demasiado confuso para estes termos, a OMM recomenda usar a palavra "confused".
| Grau | Descrição |
|---|---|
| 0 | No swell |
| 1 | Very low (short or average, and low wave) |
| 2 | Low (long and low wave) |
| 3 | Light (short and moderate wave) |
| 4 | Moderate (average and moderate wave) |
| 5 | Moderate rough (long and moderate wave) |
| 6 | Rough (short and high wave) |
| 7 | High (average and high wave) |
| 8 | Very high (long and high wave) |
| 9 | Confused (wavelength and height indefinable) |
Descrições da escala de Douglas em inglês, segundo a Wikipédia. A direção de onde vem a ondulação também deve ser registada.
Como ler os números do boletim
- Vento: os valores vêm do modelo Open-Meteo e referem-se a 10 m acima da superfície, o nível padrão. A força F que aparece no boletim é calculada a partir da velocidade em nós, com os limites da tabela de Beaufort acima. É uma previsão de modelo, não a observação do mar.
- Direção: o boletim indica de onde vem o vento, como é uso na meteorologia e no mar. ONO 299° é um vento que vem de oés-noroeste, e os graus contam-se no sentido dos ponteiros do relógio a partir do norte. O símbolo do vento é o das cartas meteorológicas: a haste aponta para a origem do vento, como num cata-vento, e os baffos indicam a velocidade. Cada baffo curto vale 5 nós, cada baffo longo 10 e cada triângulo 50, e um círculo sem haste é calmaria (menos de 2,5 nós). A velocidade do símbolo é arredondada aos 5 nós mais próximos; o valor exato está escrito ao lado.
- Rosa dos ventos: em cada dia, o setor colorido vai da primeira à última direção de onde se prevê que o vento venha. O anel de fora vai das 12:00 às 20:00, o de dentro das 08:00 às 12:00. A cor é o vento médio do período, de claro (calmo) a azul escuro (20 nós ou mais). Quando o vento é inferior a 3 nós o anel fica vazio, porque a direção não é significativa.
- Modelo: pode escolher o modelo de previsão do vento no boletim (ECMWF IFS, GFS, ICON, UKMO, AIFS). Cada modelo tem a sua grelha e dá valores um pouco diferentes: a diferença entre eles mostra a incerteza da previsão. Alguns modelos não dão rajadas ou probabilidade de chuva, e nesse caso o boletim indica "n/d".
- Marés: a altura do mar vem de um modelo e é dada em relação ao nível médio do mar, por isso há valores positivos e negativos. As horas da preia-mar e da baixa-mar são calculadas a partir desses valores e podem diferir de outras fontes em cerca de meia hora. Não substituem as tabelas de marés oficiais.
- Temperatura, sol e Lua: a temperatura do ar é a mínima e a máxima do dia (24 horas) a 2 m de altura, num ponto em terra, por isso reflete o calor que se sente na cidade; no mar o ar é mais fresco e quase não varia. A sensação térmica e a humidade relativa são as das 08:00 às 20:00, no mesmo ponto em terra; a sensação térmica junta temperatura, humidade e vento, e diz quanto calor se sente de facto. A temperatura da água do mar é a da superfície, também mínima e máxima do dia, num ponto no mar. O nascer e o pôr do sol são os do modelo para Luanda. A fase da Lua é calculada de forma aproximada, com erro de cerca de meio dia, e o ícone mostra a crescente iluminada à direita.
- Swell, corrente, pressão, visibilidade, CAPE e UV: a direção do swell é a de onde vêm as ondas, como no vento, e a do boletim é a das 14:00. A corrente é a velocidade da água à superfície, em nós, entre as 08:00 e as 20:00, e a direção é para onde ela vai; com menos de 0,1 nós o boletim diz que está quase parada. A pressão é a média ao nível do mar e a tendência compara a primeira e a última hora do dia. A visibilidade é o intervalo entre as 08:00 e as 20:00: abaixo de 1 km é nevoeiro, abaixo de 4 km reduzida, abaixo de 10 km moderada. O CAPE mede a energia disponível para correntes de ar ascendentes: abaixo de 100 J/kg a atmosfera é estável, de 100 a 1000 há instabilidade fraca, de 1000 a 2500 moderada e acima forte, com mais risco de aguaceiros e trovoadas. O índice UV é o máximo do dia: 3 a 5 moderado, 6 e 7 alto, 8 a 10 muito alto, 11 ou mais extremo. Alguns modelos não dão todos estes valores e então o boletim indica "n/d".
- Manhã e tarde: o resumo de cada dia vale para as 08:00 às 20:00, e por baixo de vento, rajadas, chuva, visibilidade, instabilidade e UV o boletim separa a manhã (08:00 às 11:59) da tarde (12:00 às 20:00). Para o vento mostra o mínimo e o máximo de cada período; para rajadas, probabilidade de chuva e UV, o máximo; para a visibilidade, o intervalo; para a instabilidade, o nível mais alto.
- Rajadas: no Open-Meteo é o máximo da hora anterior. Têm a sua própria força F, calculada com a mesma tabela.
- Mar: a onda total do boletim é a altura significativa, a média do terço mais alto das ondas, de todo o mar, vento e ondulação juntos. O grau de Douglas refere-se só às ondas de vento, por isso a onda total do boletim não é um grau de Douglas. O swell e a onda de vento aparecem separados, e o período do swell em segundos.
- Metros em vez de graus: a OMM prefere, nas previsões e avisos, indicar a altura das ondas em vez do grau de estado do mar, e diz que o uso da escala de Douglas pelos serviços nacionais não é uma prática internacional formal. Por isso o boletim mostra metros.
- Estimativas e instrumentos: a OMM dá preferência a medições com instrumentos, como bóias de ondas e anemómetros, em vez de estimativas de Beaufort ou de estado do mar.
- Outra classificação: o IPMA, nas previsões para o público em geral, usa uma classificação própria, com vento médio de 10 minutos: fraco abaixo de 15 km/h, moderado de 16 a 35 km/h, forte de 36 a 55 km/h, muito forte de 56 a 75 km/h. Não é a escala de Beaufort.
Fontes
- Met Office, Beaufort wind force scale: tabela, designações, velocidades, alturas das ondas e notas.
- NOAA, história da escala de Beaufort: origem, adoção em 1838, equivalências de 1926 e 1946.
- OMM (WMO), perguntas frequentes, serviços marítimos: terminologia recomendada para o mar e a ondulação, regra dos limites, escala de Beaufort e estado do mar.
- JODC, tabelas de códigos meteorológicos: código de estado do mar 3700 da OMM.
- Wikipédia, Douglas sea scale: história e código de ondulação.
- Wikipédia, Sea state: relação entre o código da OMM e a escala de Douglas.
- Wikipédia, Escala de Beaufort: designações em português.
- IPMA, classificação do vento.
- Penn State, METEO 300: direção do vento: o vento é designado pela direção de onde vem, e a parte da barbela com as barbas aponta para essa origem.
- Open-Meteo, documentação da previsão e da previsão marítima: definição das variáveis usadas no boletim.
Páginas consultadas a 8 de outubro de 2026. As escalas são estimativas, o julgamento final é sempre de quem está no mar.